Tenho que parar de postar os textos dele aqui… isso não é certo. Mas ta ai Walter Carrilho mais uma vez… falando o que todos tem medo de falar:

Cada vez mais eu tenho a impressão de que os produtores culturais têm um lado meio sádico. Seus métodos de tortura são criativos, envolvem até documentários. Em São Paulo está estreando o filme “Pan-Cinema Permanente” (candidato sério ao prêmio de “Título metido a besta do ano”). É um documentário sobre o poeta Wally Salomão. A resenha do jornal fala em “uma reflexão sobre a impossibilidade de a arte imprimir uma verdade sobre o homem”. Taí, maneiro… Wally Salomão era um poeta. Um poeta chato, o que é quase um pleonasmo. Um documentário sobre ele deve ser tão bacana quanto uma endoscopia. Não sei, mas aposto que metade da platéia do cinema vai ser composta por fãs de Arnaldo Antunes. Medo.

Mais adiante eu descubro que Paulo Henrique Amorin é o convidado deste sábado de um projeto de humor apresentado semanalmente em um famoso teatro da cidade. Você leu direito: “Paulo Henrique Amorim” e “humor”. Qual vai ser o tema de suas piadas? Crise econômica? Ou o equilíbrio de poder nas negociações multilaterais do Oriente Médio? E aí eu vejo que tem um curioso espetáculo teatral em outro palco famoso da cidade. O tema? TOC- Transtorno Obsessivo Compulsivo. E é uma comédia. Mal posso esperar pelo musical sobre leucemia…

Espectadora se diverte às pampas durante exibição de documentário. “Uau, que pândega! Amanhã espero ser chicoteada!”
A Adriana Calcanhoto também entrou na onda. Vai lançar um livro sobre um surto psicótico sofrido durante uma turnê em Portugal. Estou pensando em lançar um livro sobre desarranjo intestinal. Aposto como escrevo melhor do que ela. Pelo menos não apelo para versos cretinos como “Cores de Almodóvar/ Cores de Frida Kahlo”. Eu sei o limite do pedantismo.

Enfim, acho que para me divertir vou ter que marcar uma consulta no dentista. Arrancar um molar? Di-lí-cia!

Ps: “Um poeta chato, o que é quase um pleonasmo.” … genial.