Ja falei dele aqui. Mas repito Walter Carrilho é um gênio.

Com a estréia do novo 007, tem crítico perdendo tempo com aquela velha papagaiada, dizendo que o filme é blockbuster e tem cenas absurdas, etc. Se fizéssemos uma votação, aposto que os Aimar Labaki da vida iriam sugerir que algum diretor brasileiro dirigisse os filmes da franquia. Só pra ter mais realismo e influências da cultura nagô.

Já posso imaginar um 007 retirante, ou um ex-sindicalista tentando acertar as contas com os traumas da ditadura. Posso ver o diretor gritando no set: “Mais pobreza, mais realismo e mais citações sobre a globalização e a falência dos sistemas capitalistas de poder!” Mas se fosse da Globo Filmes a diferença seriam as dúzias de cenas na Tijuca com a Juliana Paes de bunda de fora. O vilão provavelmente seria o José Wilker falando com a voz travadona. E, uau, teríamos Marcos Palmeira como protagonista. Ele e aquela velha imitação de malandro do sertão que pede perdão pra Padim Cícero antes de matar: “Oxe, esses agentes russos são umas peste!” Lindo. Ah, claro, em vez de vermos a clássica abertura com o cano da arma, veríamos 87 logos de estatais que bancaram o filme.

Meu nome é Fino, Josefino…

Duro mesmo seria ver 007 lidando com as organizações de segurança do Brasil. Ao invés de se reportar a pessoas identificadas por siglas (M ou Q), ele teria que falar com esses políticos de nomes esdrúxulos como Patrus Ananias. E teria que usar um corsa 96 equipado com um telejogo e rojões caramuru. O mundo já teria ido pro saco.