o site Judão fez um crítica nota 10 ao meu filme brasileiro preferido desse ano. Apenas o Fim. Vale a pena dar uma lida, afinal o próprio site é citado no filme.

Ir ao cinema e assistir um filme nacional que não seja uma comédia romântica Globo Filmes, ou que não fale de nordeste ou de favela carioca é quase tão difícil quanto ganhar na loteria. E se o filme, ainda por cima for leve, gostoso de assistir, emocionante, sincero (como diria o próprio diretor/roteirista) e você se identificasse muito com todos os personages, seja porque a sua namorada é como um, você é como outro e seu melhor-amigo é como outro? Mais raro ainda. Pois esse é Apenas o Fim.

O filme não se pretende ser nenhuma mega-produção, é simples, focado, e mostra uma experiência que todo mundo já viveu: um fim de namoro. Aquela última hora que acaba sendo a DR derradeira, onde são expostos todos os pontos positivos e negativos, onde a parte que está terminando explica o porquê do fim, e a parte que está sendo deixada só fica tendo flashbacks dos momentos especiais. É um momento em que todo mundo sente e adoraria não precisar passar por isso.

Toda a trama do longa é focada em um diálogo entre um casal que está rompendo. Cansada da sua rotina, que não consegue lhe proporcionar o que ela imagina que seja felicidade, a menina (Erika Mader) resolve fugir abandonando seu namorado (Gregório Duvivier), seus pais, seus amigos, sem dar grandes explicações. Mas antes de partir, ela decide ter uma conversa e passar sua última hora na presença daqueles de quem está fugindo com o namorado. Nessa hora eles têm uma longa conversa e falam do relacionamento (no passado, no presente e num futuro, onde provavelmente cada um estará vivendo sua vida separadamente). O diálogo é todo permeado por flashbacks – brilhantemente ilustrados em preto e branco – que são repletos de easter-eggs para um público pop/nerd que viveu sua infância entre os anos 80/90 e foi influenciado pelo consumismo e pelo boom tecnológico do fim do milênio.

O filme todo é uma pérola, um verdadeiro presente, para essa geração que nunca é lembrada pelo Cinema Nacional – na verdade, parece que nem mesmo existe o nicho jovem nem existisse no mercado brasileiro. Esse é o primeiro longa voltado para jovens em anos. Na verdade, pensando na trajetória das produções nacionais, voltados para jovens, só consigo me lembrar de Uma Escola Atrapalhada (1990) – da leva de filmes anuais d’Os Trapalhões – e Sonho de Verão (1990), estrelado pelas Paquitas – que apesar de não ter Xuxa no elenco, não deixa de ser considerado um filme da mesma. Ou seja, são 18 anos sem nada produzido para o público jovem, e ainda assim, esses que eu citei foram produzidos para um público infantil e, também, adolescente, não foram feitos pensando exatamente na faixa jovem do mercado.

Já tava mais que na hora das produções nacionais voltarem seus olhos para essa fatia do mercado, que por sinal é a que mais alimenta as gordas bilheterias de blockbuster hollywoodianos. Fico muito feliz com produções do gênero e ainda mais feliz quando podemos ter o prazer de assistir a um filme tão primoroso quanto Apenas o Fim. Já assisti ao longa três vezes e veria outras três e mais três. E choraria, e riria, e me emocionaria sempre com uma história que é simples, sem nenhum ultra-mega-mistério, sem viradas estrombólicas na história, sem nada. Simples, direto e impecável.

E o que me deixa mais feliz é saber que esse é só o primeiro trabalho do diretor/roteirista Matheus Souza. Além do filme ter sido muito bem recebido pelo público (o que mostra que ele está no rumo certo), a tendência é só melhorar cada vez mais e nos trazer outros tantos primores como esse. Em pensar que tudo surgiu como uma empreitada universitária, entre amigos, que pretendiam aprender cinema na prática, e o resultado está aqui, colocando um sorrisão no rosto de todos que tiveram a oportunidade de conferir o produto final. =D

Cena Brasilis/ Judão/ Tayra/ Borbs e muitas outras pessoas que assistiram ao filme até agora recomendam o filme com todas as forças e apostam um picolé de cajá que vocês não ficarão decepcionados depois de passarem 80 minutos na sala de cinema assistindo a Apenas o Fim.

Parabéns a Matheus Souza por um filme tão brilhante! Parabéns a Mariza Leão, por ter apostado todas as suas fichas nesse projeto! Parabéns a toda equipe, formada por amigos, que toparam fazer tudo sem nenhum fim lucrativo (apenas alguns pães na chapa – hehehe) e que se mostraram, acima de tudo, profissionais de primeira (espero não esquecer de citar ninguém): Julia Ramil, Laila, Manu Nóbrega, Vanessa Moore, Lourenço Monte-Mór, Tatiana Pomar, Julia Garcia, Julio Secchin, Gabriel Cabral, Gregório Duvivier, Érika Mader, Álamo Facó, Marcelo Adnet, Natália Dill, Júlia Gorman, Anna Sophia Folch e mais um montão de outras pessoas que encaram o projeto de peito aberto e muita força de vontade de fazer tudo dar certo.

Prêmios e Indicações

Menção Honrosa do Júri Oficial, no Festival do Rio 2008
Prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular, no Festival do Rio 2008
Prêmio de Melhor Longa Brasileiro de Ficção pelo Voto Popular, na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2008)

Apenas o Fim
(Brasil, 2008)
80 minutos

Direção: Matheus Souza

Roteiro: Matheus Souza

Elenco: Érika Mader, Gregório Duvivier, Marcelo Adnet, Álamo Facó, Júlia Gorman, Natália Dill, Anna Sophia Folch

Site Oficial: ApenasOFim.com.br

Nota do CENA BRASILIS