Um pouco mais de Florida:

Como estudante de Entretenimento na ESPM , entender a cidade que voce vive é um fator muito importante,pois nas profissões do ramo do entretenimento, a maior tendencia é se algomorar em cidades, como exemplo Los Angeles para o cinema e Nashville para a música, e Florida te ajuda a pensar nisso. A Revista Época fez uma reportagem sobre o professor:

O mundo é…acidentado

Richard Florida, o polêmico arauto das classes criativas, olha para o mundo globalizado e conclui que ele não é plano. O sucesso pessoal depende como nunca do lugar onde você escolheu morar: é um pico ou um vale?

 
 

Até o mês passado, o mundo era plano, ou caminhava rapidamente para sê-lo. Mas desde que Richard Florida lançou, em 4 de março, o livro Who’s Your City? (“Que cidade é a sua? Como a economia criativa está tornando o lugar onde você vive a decisão mais importante da sua vida”), o mundo parece, novamente, acidentado. O professor canadense de 51 anos, famoso por seus textos sobre as “classes criativas”, desafia o otimismo de Thomas Friedman em O Mundo É Plano. Propõe, em seu lugar, uma economia global dominada por 40 gigantescas megalópoles, na qual a localização é simplesmente o fato mais relevante da vida pessoal e profissional. “A inovação e os recursos econômicos continuam extremamente concentrados”, diz Florida. “É muito melhor para um profissional ambicioso estar em São Paulo ou no Rio de Janeiro, que eu chamo de Riopaulo, do que num lugar desimportante da Europa ou dos Estados Unidos.”

Há várias novidades nessa abordagem de Florida. A primeira é que ele reúne uma avalanche de dados para ilustrar a tese de concentração humana, econômica e intelectual em aglomerados de cidades – como Riopaulo -, que ele chama de megarregiões. Essas informações são resumidas em quatro tipos de mapas globais. Eles mostram as maiores aglomerações humanas, os picos de atividade econômica (baseada em luz elétrica, detectada por satélites), as áreas de ocorrência de inovações (com base em patentes) e a concentração de cientistas (veja os mapas no site http://www.epocanegocios.com.br). Sua conclusão é que as megarregiões concentram 50% da produção humana e 99% das inovações do planeta. E que a globalização está aprofundando, e não reduzindo esse fenômeno.

 

“A globalização tem dois lados”, escreve. “O primeiro e mais óbvio é a dispersão geográfica de funções econômicas de rotina, como a manufatura.” Ao mesmo tempo, prossegue, ocorre algo menos estudado, mas igualmente essencial. “Com a globalização, atividades econômicas de alto nível, como inovação, design, finanças e mídia, tendem a se concentrar em um número pequeno de localidades.” Florida chama essa convivência de contrários de dialética, um termo quase esquecido do vocabulário marxista. E arremata: “O erro que se comete em relação à globalização é tratá-la como uma espécie de proposição tudo ou nada. Não é o caso”, afirma. “A chave está em entender que o mundo é plano e acidentado ao mesmo tempo.”

Quando se trata de inovação, a concentração é particularmente dramática (veja quadro acima). Os picos mais altos estão em regiões metropolitanas ao redor de Tóquio, Seul, Nova York e São Francisco. Ou em cidades como Boston, Seatle, Austin, Toronto, Berlim, Paris, Helsinque e Taipé. São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México estão na lista, mas perto do final. Essas são áreas, explica Florida, com ecossistemas que incluem universidades de ponta, grandes companhias, mercado de trabalho flexível e investidores que estão afinados com as demandas do mercado de inovação. Os capitalistas de risco, diz ele, têm inclusive uma regra de ouro, que proíbe investir em companhias que estejam a mais de 20 minutos de carro do escritório deles.

O mundo é…acidentado

Richard Florida, o polêmico arauto das classes criativas, olha para o mundo globalizado e conclui que ele não é plano. O sucesso pessoal depende como nunca do lugar onde você escolheu morar: é um pico ou um vale?

A concentração de empresas e pessoas inovadoras, afirma Florida, não é acidental. Ela decorre da lógica econômica. As idéias fluem melhor, são afiadas com mais rapidez e podem ser postas em prática em menos tempo quando os inovadores, os implementadores e os sócios capitalistas estão em contato diariamente, dentro e fora do trabalho. “As pessoas criativas não se juntam nas mesmas cidades apenas porque gostam da companhia umas das outras, embora isso também ocorra”, escreve o economista. “Pessoas e empresas criativas formam clusters por causa dos enormes ganhos de produtividade, economia de escala e troca de conhecimento que a densidade acarreta.”Ao telefone, falando de sua casa, o professor da Universidade de Toronto parece ansioso para divulgar suas idéias – e o faz com grande desenvoltura. Florida é uma pessoa pública, um sujeito simpático do tipo que aparece em programas de entrevistas na TV americana. Está acostumado a lidar com a discordância. Seu best-seller The Rise of Creative Class (“A ascensão da classe criativa”, ainda não traduzido em português) causou sensação e controvérsia, ao defender que concentrações urbanas que reúnem especialistas em tecnologia, artistas e homossexuais correspondem a um nível mais alto de desenvolvimento econômico. Alguns críticos acharam a coisa toda mal conceituada, mas agora Florida ampliou a idéia para o resto do mundo. “Escolher o lugar onde você vai morar é pelo menos tão importante quanto escolher a universidade que você vai freqüentar ou a pessoa com quem você vai viver”, afirma. “Se você mora em São Paulo, pode trabalhar ocasionalmente da praia, mas sua carreira vai ser feita na cidade, onde as outras pessoas e o crescimento estão concentrados.”

Em termos pessoais, o mundo acidentado de Florida sugere a necessidade de opções. Pode-se viver em comunidades menores e atrasadas – que ele chama de vales – ou mudar-se para o pico mais próximo. Nos vales está a segurança da vida familar e comunitária, com menor possibilidade de escolha afetiva ou profissional. Nos picos está o glamour da vida globalizada, com viagens e oportunidades existenciais e amorosas. Embora localizados em diferentes países, os picos são intensamente conectados entre si, criando a impressão, entre seus habitantes, de que o mundo todo é uma grande avenida, próspera e dinâmica. Não é. E aí entra a visão sombria do seu mundo acidentado.

Nos vales junta-se uma multidão ressentida, que vive à margem das inovações e dos privilégios da modernidade. “Esse é o grande embate político do nosso tempo, não a religião”, diz Florida. Sem condições de participar da parte dinâmica da economia, as pessoas são deixadas para trás e reagem com mobilizações políticas reacionárias, freqüentemente religiosas. O que se pode fazer? Tentar, com políticas públicas, diminuir a crescente concentração geográfica de privilégios. Mas, para isso, seria preciso abandonar a idéia de que o mundo é plano. “Enquanto os políticos repetem que 6 bilhões de nós vão trabalhar de casa, as pessoas excluídas estão ficando com raiva”, ele afirma. “Isso pode levar a uma guerra de classes.” Os picos contra os vales, quer dizer.

Título da tabela
* Baseado em patentes e ajustado em relação à população. **Usa-se a luz que é visível do espaço durante a noite como estimativa da atividade econômica, em combinação com números do PIB tradicional. *** Cascadia refere-se à macrorregião formada pela Colúmbia Britânica, no Canadá, mais os estados de Washington-Oregon, nos Estados Unidos.