Reportagem Hoje da Folha Sobre o mercado de shows no Brasi:

Crise deixa mercado de shows em alerta no Brasil

THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

A crise econômica deflagrada nos Estados Unidos já atinge a “economia real” do entretenimento brasileiro. Empresários e produtores de shows estão tomando medidas para evitar prejuízos financeiros com a alta do dólar.

Entre essas medidas, está a suspensão da contratação de artistas internacionais.

“Tivemos que suspender três negociações que estavam em andamento”, afirma William Crunfli, sócio da produtora Mondo (alguns artistas que a empresa já trouxe ao Brasil: Coldplay, RBD, Muse, Bob Dylan, High School Musical, Iron Maiden; artistas que trará ao Brasil: REM, Offspring). “Para 2008, já estamos com o calendário fechado”, diz.

Mesmo produtores que já fecharam contratos para shows neste ano sofrem com a desvalorização do real. Normalmente, as bandas internacionais recebem cerca de 50% do valor do cachê na assinatura do contrato e o restante poucos dias antes da apresentação.

Questionada pela Folha se a crise econômica prejudica o Tim Festival, Monique Gardenberg, da produtora Dueto, respondeu: “Enormemente”. (O Tim Festival acontece no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Vitória no final deste mês.)

Já André Barcinski, proprietário do clube Clash, local que receberá até o final do ano DJs como Laurent Garnier (França) e Dave Clarke (Inglaterra), afirma que a casa teve cerca de 40% de aumento no custo dessas negociações.

“Os contratos são fechados tendo o dólar como moeda de referência. Grande parte do cachê será paga quando esses artistas desembarcarem no país. E o aumento do dólar influi não apenas no cachê, mas nas passagens aéreas, impostos, vistos de entrada no país…”

Ingressos

Quando o custo de um produto sobe, normalmente é o consumidor quem paga por isso. No caso dos shows, algumas produtoras descartam o aumento no preço dos ingressos.

“Não vamos passar para o preço dos ingressos, que já estão no teto”, afirma Crunfli. E como equacionar isso?

“Vai bater na porta dos artistas”, afirma o sócio da Mondo. “Todos vão ter que ganhar menos, inclusive os artistas. Eles vão ter que entender a situação e ganhar menos.”

Se em 2008 São Paulo recebeu/receberá quantidade expressiva de grandes shows e festivais (Motomix, Orloff Five, Skol Beats, About Us, Helvetia Music Festival, Häagen-Dazs Mix Music, Tim Festival, Planeta Terra, Nokia Trends, Madonna, REM, Kylie Minogue, Duran Duran, Interpol, Bob Dylan etc.), para 2009 a expectativa é bem mais tímida.

“Para o ano que vem, a questão do dólar vai afetar”, aponta Bazinho Ferraz, presidente da B/Ferraz (produtora de Skol Beats, GAS Festival, Planeta Terra e que planeja montar um novo festival em 2009).

Para Ferraz, a retração no mercado de shows ocorrerá não apenas no Brasil, mas na Europa e nos EUA. “As bandas internacionais terão menor demanda. Esse é o cenário positivo, pois a agenda dessas bandas não estará tão cheia e será mais fácil achar datas para elas virem ao Brasil. O lado negativo é que o dólar tende a ficar em alta e nossos custos aumentarão.”

Patrocínio

Os grandes festivais de música pop no Brasil são bancados em grande parte por empresas privadas. Esse suporte financeiro diminuirá com a falta de liquidez no mercado?

“Compartilho da visão de que o Brasil está mais forte hoje, com boas condições para manter seu crescimento apesar da crise financeira americana, que tem conseqüências mundiais”, diz Gardenberg. “E as empresas privadas não devem olhar só para fora, temos muitas coisas bacanas aqui no Brasil que precisam ser produzidas, que precisam circular. Talvez essa crise venha a provocar esse olhar para dentro.”

Para Bazinho Ferraz, “vai ficar mais caro [o custo desses festivais]. Mas as empresas não vão deixar de fazer festivais. Em vez de termos eventos sustentados apenas por uma marca, aparecerão festivais bancados por vários patrocinadores”.

O que extrair desta notícia?

A primeira coisa é, Monique Gardenberg se entrgou, convenhamos, O Gossip não cancelou por motivos de Agenda… E se preparem que se nada mudar, 2009 tem tudo para ser aqueles anos que nada acontecia no Brasil, só tocavam artitas acabados do nível de Stephen Wolf. Surgiro tambem já com o dolar alto, porque não fazer um intercambio de bandas na América Latina? A Argentina, o chile, Uruguay estão cheios de bandas muito boas que raramente monstram a cara em terras tupiniquins.